ATIVIDADES REALIZADAS
Na componente 1, Mecanismo Financeiro para Gestão Territorial e Ambiental, o projeto permitiu a estruturação do mecanismo financeiro e a articulação com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e as Organizações Indígenas (OIs). Foi criado o Comitê Gestor (CG), composto pela CESE, COIAB, Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Fundo Podáali e dois especialistas de notório saber, que definiu diretrizes para os dois editais do projeto, assim como o roteiro de apresentação de projetos pelas OIs.
O lançamento do primeiro edital ocorreu em abril de 2024, durante Acampamento Terra Livre (ATL), com presença do BNDES. O edital previu apoio a até 30 projetos em duas categorias: Urucum (implementação de ações dos PGTAs, R$350 mil a R$400 mil, até 24 meses) e Jenipapo (elaboração ou atualização de instrumentos de gestão, R$200 mil a R$250 mil, até 18 meses).
Para ampliar a participação, foram realizadas 11 oficinas virtuais com 243 participantes. Foram inscritas 74 propostas, das quais 55 seguiram para análise após a triagem. A avaliação considerou critérios como pontuação mínima, distribuição geográfica e vulnerabilidade das terras indígenas. Inicialmente, 30 propostas foram aprovadas, mas após verificação documental, quatro foram desclassificadas. O resultado final contemplou 28 OIs: 15 na categoria Urucum e 13 na Jenipapo, fortalecendo a gestão territorial e ambiental na Amazônia Legal. Dessas, 12 estão elaborando novos planos e 15 já estão em fase de implementação.
O impacto direto alcança 40 Terras Indígenas, abrangendo uma área de aproximadamente 40 milhões de hectares e 29 regiões etno-regionais apoiadas. Os projetos em execução cobrem desde etnomapeamentos e expedições de vigilância com uso de tecnologia até a construção de casas de farinha e o fortalecimento da governança de jovens e mulheres.
No que se refere a apoio técnico, gerencial e jurídico, segunda componente do projeto, cabe ressaltar o diálogo com parceiros locais indicados pelas organizações indígenas para compor a Rede de Parcerias (RP), formada por 23 organizações com histórico de atuação nos territórios e junto aos povos, que irão assessorar as OIs na gestão dos projetos.
Foi realizada uma oficina de planejamento virtual em 2024, com 74 participantes, para orientar as OIs sobre documentos e informações necessárias, no âmbito da Componente 3 “construção de capacidades”, além da oficina de elaboração e gestão de projetos, em Manaus, reunindo 52 representantes de 26 OIs para troca de experiências e orientação sobre gestão ambiental, administrativa e financeira. Após essa etapa, seguiram reuniões virtuais para esclarecimentos sobre contratos, boas práticas e comunicação. Em 2025, os projetos do primeiro edital foram contratados. A lista oficial dos projetos apoiados no primeiro edital está disponível aqui.
No que se refere à comunicação estratégica, foi realizada a 1ª Capacitação da Rede de Jovens Comunicadores Indígenas da Coiab, com três etapas virtuais sobre produção textual, design no Canva e redes sociais, e uma etapa presencial em Brasília, reunindo jovens de diversos povos. Para dar visibilidade ao projeto, foram criados o site (https://www.dabucury.org.br) e materiais de comunicação como camisetas, ecobags, banners, cards e vídeos, além de notícias e depoimentos.
Também foram elaborados o Guia de Gestão de Projetos e a websérie “Gestão de Projetos”, com dois episódios publicados e outros em produção. Durante o 21º Acampamento Terra Livre, o Guia foi entregue às OIs e houve uma mesa de troca de experiências com participação da CESE, Coiab e BNDES.
O segundo edital, lançado em 2025, já selecionou mais 28 organizações (7 na categoria Jenipapo e 21 na Urucum), que devem iniciar a execução em maio de 2026. Os parâmetros de cada categoria foram revisados, a partir da experiência obtida no primeiro edital. As categorias passaram a ser: Urucum (implementação de ações dos PGTAs, R$250 mil a R$300 mil, até 18 meses) e Jenipapo (elaboração ou atualização de instrumentos de gestão, R$150 mil a R$200 mil, até 18 meses). A lista oficial dos projetos apoiados no segundo edital está disponível aqui.
Este novo ciclo contempla mais 32 terras indígenas e outros 42 milhões de hectares, consolidando o Dabucury como um dos maiores pilares de apoio direto às associações indígenas na atualidade.
Em abril de 2026, o projeto apresentou seus resultados parciais na tenda da COIAB do Acampamento Terra Livre, reforçando o constante diálogo com as OIs sob o qual este projeto foi construído¹.
¹ Mais informações podem ser obtidas em: https://www.dabucury.org.br/projeto-dabucury-no-atl-2026-tecendo-a-autonomia-e-a-gestao-territorial-no-chao-das-aldeias/